Ensino Médio

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No dia 1º de setembro de 2012, numa manhã muito tranquila, a sala do sétimo ano da Escola Pólen apresentava uma atmosfera muito especial: havia sido preparado o primeiro encontro do Projeto de Expansão da Pólen e o tema desta vez era o Ensino Médio Waldorf.

O que é esperado pelos alunos e suas famílias para o período de quatro anos, do nono ao décimo segundo ano de uma escola Waldorf? É certo que o nono ano já é uma realidade nessa escola há algum tempo, mas, e depois disso?

O período compreendido entre 15 e 18 anos, segundo a visão da pedagogia antroposófica, pede uma estrutura muito diferente daquela tão conhecida do Ensino Fundamental. A entrada no terceiro setênio traz demandas muito específicas, pois, afinal, é a época em que se cuida de educar a capacidade de PENSAR que se manifesta a cada momento, buscando atingir a possibilidade de um PENSAR VIVO, livre de amarras e de clichês, sem negligenciar o mundo dos sentimentos e emoções em ebulição que tenta se sobrepor ao atuar no mundo, em várias escalas, na vida do adolescente.

Surge a figura do professor tutor e dos vários professores especialistas que, ao longo de quatro anos, percorrerão com os alunos TODO o caminho que o currículo oficial exige, às vezes até numa sequência diferente, mas com um acréscimo precioso de muitas e diferentes vivências e conteúdos. O tutor conhecerá mais de perto o seu grupo, pois participará de toda a atividade que envolva a sua turma, buscando conquistara confiança de cada indivíduo pelo seu amor à verdade, no âmbito amplo das relações e do trabalho em sua própria vida.

Disciplinas como as artes, euritmia, educação física, trabalhos manuais, línguas estrangeiras e música, além do estudo do caminho da humanidade através da história da arte, da música e da arquitetura, vão permear os quatros anos do Ensino Médio, trabalhando juntamente com os conteúdos que exigem uma atividade intelectual. Assim, o currículo Waldorf vai oferecer ao aluno a oportunidade de desenvolvimento harmonioso em todos os âmbitos de sua formação como ser humano.

O estágio agrícola do nono ano dá ao jovem de quinze anos a possibilidade de conhecer práticas de agricultura e pecuária que buscam resgatar o respeito pelos processos naturais (orgânicos e/ou biodinâmicos), numa época em que a tendência da vida é compartimentar e isolar etapas de uma atividade fundamental para a manutenção da vida, que é a produção de alimentos. Acompanhar todo o processo de uma atividade – causas e consequências – valerá mais que muitas aulas teóricas!

No décimo ano, quando o jovem de dezesseis anos questiona a sapiência e conhecimentos dos adultos, vem o curso de agrimensura, que une os estudos de trigonometria (e cálculos matemáticos em geral) à antiga atividade de medição de terrenos. Os alunos, agrupados, novamente em contato com a natureza, têm a tarefa de medir, calcular, desenhar plantas e perfis de terrenos predeterminados, apenas com orientação do professor especialista, usando teodolitos analógicos, réguas de mira de madeira e balizas. Sozinhos no campo, os alunos não têm o professor no seu encalço, “vigiando” e cobrando. Mas o resultado da atuação e empenho de cada um ficará visível no polígono que os vários grupos têm que apresentar: se o trabalho ficar bem feito, o polígono fechará, dará certo! Se houver alguma “esperteza” ou menos vontade de trabalhar, o polígono não se fechará: ninguém vai precisar dizer nada! E não é assim que funciona na nossa vida de adultos?

Aos dezessete anos o jovem passa por uma fase muito especial, em que surgem questionamentos profundos, muitas vezes não verbalizados, a respeito do sentido da vida, das relações humanas nos diversos níveis. O estudo da história de Parsival – o jovem que deixa de fazer a pergunta certa na hora certa, por achar que estava cumprindo bem uma ordem e, como consequência, deixa de amenizar o sofrimento de alguém e passa a enfrentar grandes dificuldades, até amadurecer e realizar seu destino – traz alento e significado maior para os processos, muitas vezes dolorosos, da alma juvenil, que tenta se esconder atrás de muitas máscaras.

Uma atividade muito especial é o teatro, que algumas escolas fazem no décimo primeiro ano, outras no décimo segundo ano. Se o teatro do oitavo ano já nos impressiona, imaginemos agora todo o processo de escolha e montagem de uma peça sendo conduzido pelos próprios alunos, com a orientação de um diretor. Compor músicas, decidir cenários e figurinos, cuidar da divulgação e tudo o mais relativo a uma peça de teatro fica a cargo do grupo de alunos. Muitas vezes a peça escolhida tem censura para maiores de 14 ou 16 anos… É para ser assim, se a turma assim escolhe…

No décimo segundo ano, ano de conclusão desta etapa escolar, o aluno terá que lidar com tarefas bem exigentes, tais como um trabalho de conclusão de curso (TCC), um estágio profissional, um projeto social. E muitos terão que conciliar com isto os estudos para provas de seleção de faculdades, além do próprio conteúdo do ano, com todas as matérias oferecendo um fechamento e retrospectiva do caminho andado até então.

Sempre surge, entre os pais, a pergunta: o meu filho sairá preparado para o vestibular? A partir do pouco que foi exposto aqui, fica o convite à reflexão: o vestibular é uma etapa importante da vida atual. Será que um Ensino Médio Waldorf vai ajudar o jovem a se preparar para a vida, que inclui também desafios como este, mas não apenas este?

Professora Valéria

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